Show “Tempo sem Tempo” - Solo
Sobre o projeto
“Tempo sem Tempo” é um show da clarinetista, compositora e cantora Joana Queiroz, baseado no disco homônimo da artista. Sozinha em cena, Joana constrói uma narrativa que discorre sobre a passagem do tempo, sua relatividade, inconstância e imensurabilidade, nossa relação com ele e com o momento atual do planeta.
Este trabalho se desdobra a partir da pesquisa iniciada com o disco “Diários de Vento” (2016), fruto de uma residência artística que possibilitou um mergulho em experiências com camadas de sopros e paisagens sonoras. Seguindo com a proposta dos sopros como centro, a partir de uma residência do projeto Ibermúsicas, Joana começa a pesquisar e compor temas que ressoem com o que precisa comunicar no momento e que funcionem no formato de “loops”, criando a partir disso seu próximo álbum, o elogiado “Tempo sem Tempo”.
Lançado originalmente no Japão em 2019, o disco saiu no Brasil em 2020, já com a pandemia em curso. Em 2022 foi lançado na Alemanha. Apesar deste trabalho já ter sido apresentado em shows pelo Brasil e exterior, seu desenvolvimento e sequência foram interrompidos pela pandemia.
A partir da suspensão do tempo vivida coletivamente, a percepção do tempo mudou para todos nós; a proposta do show surge com a ressignificação do disco e da própria relação com a vida e com a música a partir desta experiência. Durante a pandemia, Joana mudou-se para a Cajaíba, zona costeira de Paraty, vivendo numa comunidade de pescadores e estabelecendo uma forte relação com a matriarca caiçara Dona Dica e sua família, experiência que a transformou profundamente.
Através de novas composições, falas de Nego Bispo e Leonardo Bastião e da própria Dona Dica, e da projeção de fotos e vídeos de Taís Triveni, esta experiência é trazida à cena. O tom intimista e ao mesmo tempo ousado de Joana ultrapassa o limite da música instrumental, em um show que também se mescla à poesia das canções, explorando a versatilidade da compositora, instrumentista, arranjadora e improvisadora.
Sob a direção de Rebeca Queiroz, diretora, atriz, artista plástica e arte-educadora há mais de 20 anos, o espetáculo ganha contornos teatrais. Um delicado desenho de luz dialoga com projeções de imagens da artista visual Taís Triveni, projetadas em tecidos cenográficos e no próprio corpo da instrumentista.
O novo “Tempo sem Tempo” ganha corpo a partir de pensamentos e influências de Ailton Krenak, Nêgo Bispo, Davi Kopenawa e Zé Celso Martinez Corrêa, em uma mescla de músicas instrumentais autorais e canções de Zé Miguel Wisnik, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Itamar Assumpção e Hermeto Pascoal, em arranjos singulares da identidade criativa de Queiroz, resultando em uma rica e intensa sonoridade alinhada ao cenário musical contemporâneo.